ACONTECEU POR AQUI
Por Jocarlosbarroso
Outro
dia um amigo entregou-me uma pagina do jornal Estado de Minas onde em uma das colunas
desse jornal, e precisamente na TIRO E QUEDA onde se lê as inteligentes e bem
escritas crônicas do escritor Eduardo Almeida Reis, da Academia de Mineira de Letras.
Em
uma de suas crônicas, intitulada Antologia discorre sobre fato pitoresco que se
passou em São João Nepomuceno
sendo parte de plaquete (livro de poucas paginas) que foi enviada ao escritor
por Paulo Roberto Mendes Gonçalves, filho de Otavio Gonçalves prospero
fazendeiro em nossa São João
Nepomuceno e, ex proprietário da fazenda Lusitânia no distrito de Carlos Alves.
Assim
inicia Eduardo Almeida Reis:
Paulo
Roberto Mendes Gonçalves, engenheiro rodoviário, e leitor do grande jornal dos
mineiros, honrou-me com a plaquete Angu de Fubá Grosso, 67 páginas de amor à
família e à figura de seu pai, nascido na Fazenda Lusitânia, onde trabalhou
toda a sua vida.
Acontece
que conheço a Fazenda Lusitânia em Carlos Alves , distrito de São João Nepomuceno,
MG, em cuja cooperativa é feito o doce de leite Tupinambás, o melhor do mundo.
Sem essa de doces Argentinos e Uruguaios: doce é o Tupinambás e não se fala
mais nisso.
Na
plaquete do engenheiro leio cena deliciosa, antológica, que nos conta como eram
as coisas nessa Minas do século 20, quando João Mansur começou a transportar
gente, numa jardineira de São João Nepomuceno para Juiz de Fora. Hoje feita em
uma hora, a viagem levava quase o dia inteiro e passava pela fazenda Lusitânia,
quando o empresário de transportes, dono de uma única jardineira, perguntava:
Como é, sô Tavinho vamos para Juiz de Fora? E o fazendeiro respondia: “Só se
vocês me deixarem tomar banho e me vestir”.
Os
passageiros tiravam seus guarda-pós desciam, desciam, comiam bolo de angu de fubá
grosso, muito melhor que o angu de fubá fino, e ficavam comendo frutas no
pomar, enquanto o fazendeiro fazia barba, tomava banho e se vestia e protegia
com o guarda-pó, para embarcar na jardineira. E o veiculo chegava a Juiz de
Fora tarde da noite.

Mas meu caro escritor, e leitores, eu lhes confesso, que não só
ouvi dizer, como presenciei por algumas vezes o meu tio, Dr. Rui Barroso Silva,
Desembargador do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais, que era um dos
maiores amigos do mesmo velho João Mansur se aprontar com toda paciência e
mandar um de seus filhos telefonar para o terminal rodoviário de Juiz de Fora
para que o motorista o esperasse um pouquinho, que ele já estava indo e, o
motorista o esperava, pois já conhecia o pouquinho do doutor.