Por jocarlosbarroso
Parece
utópico este discurso de se acabar com o carnaval em nossa São João Nepomuceno, mas
pensemos bem, será que isso é carnaval mesmo?
Carnaval
na verdade foi sempre uma festa da carne onde o espírito não tem lugar, e a
própria etimologia da palavra nos leva a festa da carne. Contudo esse modelo
que aí está tem que ser urgentemente pensado e discutido, num estudo que
implica a ampla participação popular, com o consistente apoio das instituições
e classes representativas, apoiadas incondicionalmente pelas autoridades
constituídas.
Pois
bem, nesta quinta feira dia 23 de fevereiro, o Vereador Rodrigo Barbosa, deu o
ponta pé inicial em reunião da Câmara Municipal, mostrando a todos a necessidade
e a urgência que o caso requer, além de propor em plenário uma ampla discussão
sobre o assunto.
O
que está acontecendo é que infelizmente estamos aperfeiçoando as mazelas e,
contra esse estado de coisas haveremos de nos unir em combate franco. Hoje temos até heresia! Tudo nos parece um absurdo,
incongruência sem consistência. Bem mas isto é para depois.
E
não pensem que este é um discurso moralista, demagogo de quem um dia participou
dessa infâmia. Trata-se apenas de um pequeno estudo histórico e etimológico,
sem pretensões de ensinar, mas de alertar. Alias é importante registrar que se
antes participamos, e até efusivamente, concorrendo para tantos absurdos
e sordidezes, hoje reconhecendo a nossa culpa, agradecemos por nossa salvação
oferecida por Jesus Cristo na cruz, com ênfase no aspecto de libertação da
escravidão do pecado.
Vejamos o que Buarque de Holanda nos ensina: CARNAVAL vem de
CARNE VALE.
No mundo cristão medieval, período de festas
profanas que se iniciava, geralmente, no dia de Reis (Epifania) e se estendia
até a quarta-feira de cinzas, dia em que começavam os jejuns quaresmais.
Os três dias imediatamente anteriores à
quarta-feira de cinzas, dedicados a diferentes sortes de diversões, folias e
folguedos populares, com disfarces e máscaras; tríduo de momo.
Carnaval é o antigo entrudo, era o jogo do entrudo,
onde as pessoas pregavam peças nas outras, era o brincar sem intenção de
ofender, e por fim a palavra está ligada à confusão, a trapalhada, e desordem.
Momo ao contrario do que se pensa era uma deusa, representada com uma
máscara que levantava para exibir seu rosto, e com um boneco numa das mãos,
simbolizando a loucura. Era constantemente representada no cortejo de Baco,
sempre ao lado de Sileno e Comos, o deus das farras e da dissolução.
Abaixo uma estátua do deus Baco
Abaixo uma estátua do deus Baco
(deus do vinho)

De acordo com a mitologia romana, Baco
ao tornar-se adulto descobriu a forma de extrair o suco da uva e produzir o
vinho. Com inveja, a deusa Juno (Hera no
panteão grego) transforma Baco num louco a vagar pelo mundo. Ao passar pela
Frigia, foi curado, e instruído nos rituais religiosos pela deusa Cibele.
Com
as citações acima você pode ver que a palavra CARNAVAL nos remete a um tempo
sincrético envolvendo Roma e Grécia, onde as divindades eram muitas, sendo veneradas
e cultuadas.
A
Bíblia nos conta em Atos 17 que Paulo, o apóstolo de Cristo na sua viagem à Atenas, Grécia ao ver
tantas imagens de deuses que cultuavam, e uma delas em especial em um altar, com a inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO, pois esse que adorais sem conhecer é precisamente aquele que vos anuncio. Quanta sabedoria!
Isto
que estamos vivenciando não é só carnaval, isso é baderna pura, um tempo de
permissividade e liberalismo, que toma conta de cada canto desta cidade, cujo
povo com orgulho a denomina GARBOSA.
Por
aqui agora se pode tudo, e sem medidas pode-se, embebedar, drogar, prostituir, fazer
as necessidades físicas em plena rua, numa exposição de genitálias sem
precedentes, pode-se brigar, com direito a platéia onde alguns imbecis se
digladiam até a morte.
Os
nossos jovens morrem de todos os modos aos olhos dos adultos, agora já não mais
se contentam com as desavenças banais, agora eles têm sede de sangue e, não
lhes importa mais aquelas famosas briguinhas, pelo simples pisar no pé do
outro, ou qualquer gracejo com a namorada do outro, agora é bala, tiroteio em
plena rua.
Hoje
o comercio cerra as suas portas, ou se protege com tapumes, enquanto o povo não pode mais sair de suas residências, ou ali se aprisionam fugindo e, assim, como pode cada um
vai se defendendo usando as armas que tem, e mesmo assim são convidados a se
desprotegerem pela própria administração pública, que patrocina toda essa
bandalheira.
Enquanto
isto falta dinheiro para tudo, para a educação, para a segurança, para a saúde
então nem se fala. Na verdade vale mais é a ostentação publica que se pratica
sem medidas apenas como demonstração de poder. Mas que poder tem quem permite
absurdos contra uma sociedade, quem não a defende e, nem tem o interesse de
preservá-la? Véspera de muito é dia de
pouco.
Vale apenas a demagógica pratica dos tapinhas nas costas, e dos afagos relâmpagos em criancinhas sempre naquelas menos favorecidas. É a vergonha do pão e do circo, que é dado ao povo somente às vésperas de eleições.
Esse
modelo de carnaval tem que sofrer uma modificação URGENTE, temos todos, que
pensarmos numa solução, e que seja bem depressa, para que esse absurdo, que
envolve ainda o sexo liberado, e a exposição de genitálias aos olhos de uma
população, que impotente cruza os braços, como que aceitando esse nojo de
modelo de diversão, alias incentivam as crianças e jovens em dele participarem,
grande exemplo!.
"Aquele que constrói uma boa casa sobre uma base ruim, condena-se a si
mesmo à prisão...
"Não é apenas o ar que faz ruim uma base, mas as estradas
ruins, os mercados ruins e, se faz consultas com Momo, tem vizinhos ruins".
Ao
finalizarmos este alerta, aqui deixamos nossos efusivos parabéns a esse
brilhante Vereador, RODRIGO BARBOSA, que verdadeiramente pensa em sua gente e
tem honrado com distinção e mérito o cargo parlamentar, que o povo são-joanense
lhe confiou. Que Deus lhe abençoe dando-lhe sabedoria e força em suas ações legislativas
sempre na luta em prol dos excluídos e necessitados.
Abaixo
um pouco do que pensamos sobre o lixo e, o podre das festas de Calígula.
LIXO E PODRE
José Carlos
Barroso
É uma enxurrada de
desconfortos
Todos se esvaziam por
inteiro
Seus
líquidos excrementícios
Numa exibição indecorosa de
genitálias
Sem princípios brigam e
gritam
Alias propriamente uivam
como feras
E quando essa turba passa
deixa seu rastro
Um odor fétido insuportável
de amônia passada
Deixam ainda um cheiro forte
exalado dos poros
Odor acre e enjoativo por
estar vencido
Não como fruto das grandes fadigas
Não como fruto das grandes fadigas
Mas pelo calor das multidões
atrevidas
Que se impregnam do que é
pútrido
Renegam a ordem, a educação
e o direito
São só absurdos destemperos
alucinações
Tudo em nome duma falsa e
passageira alegria
Mas que para se viver é
necessário até fantasia
E nem de longe pensem em
criticar
Será escrachado xingado
apedrejado
Por não estar vivendo do
mesmo lado
Por julgarem donos de um
direito soberano
Mas num estado de direito e
eles não sabem
Todos estão sujeitos a lei,
não há soberanos
E quando se invade uma área
Sem autorização judicial e
se torna soberano
Decididamente não há então
lugar para o ilícito.
Com a palavra nossas
autoridades
Porque uma grande maioria do
povo é fugitiva
Dessa escandalosa inversão
de valores
Onde o lascivo e, o
desrespeito é lugar comum
Decididamente
Não precisamos desse tipo de
alegria
Porque a alegria não sai dum
lixo podre
AS FESTAS DE CALIGULA
José Carlos
Barroso
Não vivemos
os prazeres do pacato
Onde ser
bucólico era orgulho
Pois aí
está esse palácio de Roma
Onde o
lascivo não tem dia nem hora
Acabamos de
assistir mais uma festa de Calígula
O
depravador senhor e imperador das orgias
Um festim
licencioso permissivo em quatro dias
De completo
bacanal e anarquias
Assistimos
mais uma festa em honra a Baco
Em nome de
um entretenimento atrevido
De falsas alegrias
e das companhias alegres
De farras
de bebidas e desperdício
Pura
esbórnia indecorosa de momo
Agora somos
nitidamente prisioneiros
Trancafiados
como reféns da balburdia
Vivendo na
Sodoma do presente inconseqüente
Travestida
de terra santa durante o ano inteiro