GALÁCIA

GALÁCIA


José Carlos Barroso



Sempre me encantou a
vida de Paulo, então parti para a Galácia , era minha primeira viagem depois da libertinagem.

Ouvi os capítulos, e no quinto meditei os versículos. caminhei do dezesseis, e cheguei ao vinte e seis.

Peregrinei em Filipo, d
o um ao quatro, mas se a Galácia foi salvação, em Filipo um, encontrei a redenção.

No versículo vinte e um me aprofundei fui a frente ajoelhei no “Viver é Cristo Morrer é lucro”.



sábado, 19 de novembro de 2011

A INTELIGENCIA DO CHAPÉU


Por  Jocarlosbarroso


Existem pessoas cuja cabeça só serve mesmo é para separar as orelhas, outros dizem que servem como canteiro de cabelo, tudo porque a inteligência passou bem longe delas, já que essas pessoas não têm a mínima preocupação, com o que falam, e fazem.
Bem pensei que tudo isso não passasse de piada, porém um amigo me disse, que tudo isso é verdade mesmo, e então me contou que conhece uma dessas pessoas, e que o seu conhecido certa vez foi convidado para assumir um cargo importante em uma cidade do interior, cargo do qual era para conhecer bem, já que todos imaginavam que bem conhecia, pois possuía formação acadêmica para tal.
Mas que nada o cara não sabia absolutamente nada do cargo que assumiu e, pior ainda passou a andar com outro que menos ainda do assunto conhecia.
Bem mas aí o cara pensou que se comprasse um chapéu e dele fizesse uso, tudo poderia ser diferente, foi quando então incorporou a “inteligência do chapéu”, passando o chapéu a ser parte integrante de seu figurino.
Na verdade minha gente era uma marmota o tal “chapeuzinho inteligente”, e o cara não o tirava de jeito nenhum da cabeça, talvez acreditando mesmo que por estar perto da cabeça e até sobre ela poderia assimilar inteligência e, conhecimentos sobre o ramo da engenharia civil, ou quem sabe por osmose pudesse adquiri-los!
Até que um dia esse amigo não agüentando mais, acabou rasgando o verbo, dizendo ao homenzinho de chapéu:

 

Quer saber duma coisa seu bo....   acabo de descobrir que a cabeça de certas pessoas além de servirem para separarem as orelhas, e de canteiro de cabelo, servem ainda para colocar chapéu.
O pior é que o cara não entendeu nadinha, e acabou de confirmar o seu conhecimento e inteligência, quando disse: É mesmo.!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

UM VERDADEIRO "CALÇADÃO"


Por Jocarlosbarroso

Sobre o calçadão da Rua Coronel José Dutra até já manifestamos nossa opinião, porém, estávamos esperando no que iria dar aquele desenho pueril sem perspectiva alguma, revelador do simplismo, que nos foi apresentado, não obstante as outras versões já construídas terem sido péssimas e, de um tremendo e infinito mau gosto.
Aliás, o aspecto arquitetônico de nossa cidade, tão falado e perseguido pela atual administração, se era ruim, de tempos para cá tem piorado consideravelmente, já que os prédios de outrora, com raríssimas exceções, tem cedido lugar na verdade a uma enxurrada de caixas de fósforos, com algumas janelas e portas.
Contudo não procuremos os culpados, pois iremos nos perder neste emaranhado de responsáveis, e isso não passa de causa sem causa, já que muitos são eles, inclusive nós todos, temos a nossa parcela de culpa por permitir passivelmente esses abusos.
As construções do fim do século IXX e, inicio do século XX, aparecem hoje com certa raridade, pois o tombamento literal já vem sendo praticado a muito, cedendo os seus espaços, com raras exceções ás construções horrendas, com emprego de materiais já ultrapassados, na verdade isso quer nos parecer que é a exigência do mercado imobiliário local, e atual, na busca do lucro a qualquer custo.
Será que não dá para se empregar a criatividade e usar a velha receita, do bom, bonito e barato?
Confesso a minha ignorância por não ser do ramo, mas na mesma proporção posso garantir que não sou tão cru no quesito beleza, afinal sou confesso apreciador do belo e, não defensor da frase: “Quem ama o feio, bonito lhe parece”.
E continuando as máximas lhes apresento mais uma: “Beleza não põe mesa”. Bem mais isso é para quem não tem gosto ou se tem algum é mau gosto, e prefere empregar o dinheiro dessa forma horrenda e, sem imaginação, onde neste espaço privilegiadíssimo, como o calçadão, esses tijolinhos são assentados sem a mínima criatividade, num processo de dois mais dois, ou de um simplório feijão com arroz. 
Você não acha que poderiam aplicá-los em um desenho tipo, calçadão de Copacabana ou Ipanema, guardando as suas devidas proporções, cujos desenhos ficaram conhecidos no mundo inteiro?
Ah! E por falar em tijolinho, tem cidade aqui por perto que tem empregado os tais tijolinhos, em suas ruas e, olhe que são cidades com arrecadação bem menores do que nossa São João. “Vide” cidade de Pequeri há poucos quilômetros daqui, uma beleza, perfeito o calçamento de algumas de suas ruas!    
Mas meus prezados, se CALÇADÃO significa calçada, ou passeio extenso, e excepcionalmente largo, de belo efeito urbanístico, agora teremos que retirar o complemento desse significado lexico de belo efeito urbanístico, pois de belo não há nada, também nesse, que estão a nos apresentar e está por acabar.
Mas, nem tudo é ruim, nem tudo vai além da critica, e já nos damos por satisfeitos, primeiro porque aumentou a visibilidade, depois porque um amigo assimilou bem a nossa idéia de aproveitar o verão para alugar algumas cadeiras e colocar em frente ao seu estabelecimento e, olhe que logo surgiu a idéias também de alugar algumas sombrinhas, pois o sol já avisou, virá quente!!
Afinal este é ou não é o verdadeiro calçadão??? Com a palavra o povo, pois a minha aí está como não há remédio o que me resta é fazer o jogo do contente.
Nota dez, então para a nova quadra poliesportiva construída em pleno centro!
Ah! Eu ia me esquecendo, alo moradores das cercanias ou arredores da matriz NÃO SE ENGANEM NÃO HÁ ATO DE DESTOMBAMENTO, uma vez tombado, é para sempre, procure se informar, não acreditem em balelas politiqueiras, avisei!

sábado, 12 de novembro de 2011

UM MUNDO NOVO, MAS LEVADO A SÉRIO:




Jocarlosbarroso


Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
querer um mundo novo a sério.
António Aleixo


Não foi a necessidade, mas sim, o desejo incontido de notabilizar, e perpetuar os fastos da dinastia, nascida em feudo próximo, o que acabou gerando incentivos à munificência, com que se liberalizavam agrados, e recompensas a todas as pessoas, o que acabou por gerar uma vassalagem, pelas cercanias do palácio.
Eram comuns os gracejos, os tapinhas nas costas, os agrados fingidos às criancinhas desprotegidas e, mais do que necessitadas, além do sorriso maroto apenas esboçado pelo interesse, ou pela plena satisfação de se estar perto das majestades.
O dinheiro escorria pela torneira, do céu caia a patifaria, e o vento verdugo incidia incitando, com o escopo único de desviar as atenções. E conseguiram!
Era fingimento de cá e, de lá, mas em contrapartida os nomes eram sufragados, como escambo, e por qualquer quinquilharia. Era a desigualdade manifesta sem pudores, era mais ainda, era a cultura da subserviência, que se impunha de forma cadenciada, em doses homeopáticas, ou de forma sublinear.
Mas é a frase acima do poeta  português Antiônio Aleixo, que nos ensina, o povo com o tempo, com os desmandos, com a prepotência, e a sucessão de erros, parece que se cansou das promessas de um mundo novo, vez que as promessas eram falácias, e a falta de respeito, o escárnio sobrepujou até a vergonha e, não demorará, para que o povo passe a querer um mundo novo, mas um mundo novo, levado a sério, e melhor, por quem é sério.
Nunca se falou tanta mentira, nunca houve tanto deboche, nunca tanta má fé, nunca tantos enganos, e afanos, tantos milhões, e tantas perseguições, afinal estamos vivendo e sofrendo uma era imperialista.
E se algum dia pelas ruas e, esquinas, como pelos bairros a mudança foi a ordem do dia, agora também o é, e já sentimos o prenuncio dessa vontade.
Tomara que até lá não mudem de opinião certamente isso será o romper de um vulcão arrazador, e  o  enterro da felicidade e, da alegria pelas lavas e cinzas...!!!
Eu prefiro vê-los dançar sobre o vulcão (Folgar em ocasião de perigo iminente, mas oculto).. Até breve.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O ELEFANTE A COBRA E OUTROS BICHOS



Por Jocarlosbarroso

Outro dia ouvi de um amigo uma historinha muito boa e interessante.
Bem aqui vai ela:
Certa vez em uma escola a professora marcou para seus alunos, que estudassem alguns bichos porque iriam fazer uma dissertação sobre um deles, e deu-lhes uma lista de cem bichos.
Pois bem, um dos alunos, o Manoelzinho, achando a lista de cem bichos enorme resolveu apenas estudar um deles, e escolheu a cobra.
No outro dia Manoelzinho foi para a escola, e se preparou para dissertar o seu bicho, quando a professora disse: Vocês irão dissertar o elefante.
Manoelzinho então logo pensou: e agora? Caiu outro bicho, cara! Mas já que não havia outro jeito, logo deu  jeito de começar a sua dissertação.
E escreveu:
O Elefante é um animal bem grande, grande mesmo e, ainda tem uma tromba também muito grande, uma orelha enorme, na verdade é um orelhaão, mas o rabinho do elefante é pequenininho, pequenininho e ainda fino, fino e parecido com a cobra.....E foi aí que ele chegou até ao seu bicho, a cobra, passando a descreve-la. Afinal era o único bicho que Manoelzinho havia estudado.

Pois é, tem muita gente assim, tem muito Manoelzinho andando por aí. Quando conhece algo, despista entre linhas e descreve o que aprendeu, ou ouviu dizer.
Mas esses Manoelzinhos podem estar cometendo, grandes equívocos por não saberem de que estão falando, e às vezes falam demais, e de quem e do que não conhecem e aí a VACA vai pro brejo!!!
Bem mas aí é oura historia, e o bicho é outro!     
Um aviso aos Manoelzinhos; isso pode dar ZEBRA, pois aquele de quem se fala sem saber pode virar um LEÃO, que também é um outro bicho, e isto já é uma outra história, que depois contaremos.

Se por ventura você conhece algum Manoelzinho por aí, ou já agiu como um, cuidado, muito cuidado mesmo porque o bicho pode pegar!

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DINHEIRO PELO RALO

Por Jocarlosbarroso

A mais nova revitalização do calçadão da Coronel José Dutra teve seu inicio no sábado próximo passado, onde possantes máquinas arrancaram em pouco tempo aqueles despropositados monstrengos, misto de banco e jardim, que na verdade não eram nem um nem outro, apenas um troço de péssimo gosto.

Verdadeiramente era um desenho pesado, cheio de triângulos em meio a um retângulo, sem critérios e razões, que ocupava grande extensão de uma grande área.

O pior de tudo foi à truculência, com que as coisas aconteceram e continuam a acontecer, tudo num clima áspero e de demonstração de força e poder imperialista, onde o povo assiste bem a frente de seu nariz à continuada destruição do que estava construído e nada justificava destruir.

Aliás, estamos vivendo a gestão da construção de obras já construídas o que é verdadeiramente um tremendo absurdo, o que equivale a realizações de um “governo participativo”, onde o povo não é ouvido, não merece atenção e só é enxergado por ocasião das eleições.

A Rua Coronel José Dutra há tempos vem merecendo um projeto arquitetônico de revitalização digno de uma artéria principal, porém o que temos visto desde a criação daquele espaço são propostas e realizações rudimentares, feitas à mão e a bico de pena, e construídas a enxada e enxó.

Primeiro nos apresentaram um calçadão inexpressivo, ornado de iluminarias “natalinas” de péssimo gosto, mas salvas pelo calçamento de pedras portuguesas, depois nos brindaram com aqueles jardins suspensos, repletos de pedras, iluminadas por postes estilo inicio do século passado, que não se coadunam.

Mas agora como parte de um conjunto de medidas que visam a criar nova vitalidade, ao centro da cidade, o calçadão terá outro aspecto, bem simplório, contando o projeto apenas com um piso em tijolinhos e iluminação sobre os postes já existentes e se a proposta surgiu para dar novo grau de eficiência aquele logradouro, não entendemos a que virá.

Sim quando anunciada foi à retirada dos “mostrengos” imaginamos que viria algo profissional, mas a se seguir aquele projeto, que vimos circulando, sem perspectiva alguma, leva-nos a acreditar que foi resultado de um concurso de desenho de crianças de seis anos.

Mas há projetos espetaculares, outro dia vimos um projeto feito por uma são-joanense, que verdadeiramente ficamos impressionados, pela beleza, bom gosto, e profissionalismo. Mas não pensem que esse projeto será aqui aplicado, claro que não. O projeto foi premiado na cidade de Juiz de Fora, pois por aqui as coisas são feitas no joelho e em papel de pão, tal como antigamente.

Assim parabéns Lorenza Girardi você realmente merece distinção.

Enquanto isso, enquanto não há seriedade, o dinheiro rola e escore pelos “ralos”. Fazer o que?

Resta-nos cantarolar: “É isso que o povo gosta é isso que o povo quer”!!!!

sábado, 29 de outubro de 2011

OGATO SUBIU NO TELHADO

A.JaquesBMoraisFilho

Assim terminava uma anedota antiga que conheci. Mais tarde li um colunista do Jornal do Brasil (talvez Xexéo ou Tutty Vazques) usando essas expressões para tratar com certa parcimônia abordagens tensas. Hoje nas diversas repartições públicas onde tenho trabalhado usamos quando queremos dizer alguma coisa, digamos, incômoda.

Pois então não é que saindo do umbral do serviço público (sim, porque depois da experiência brasileira de “reforma do estado” imposta pelo neoliberalismo dos anos 90 todos os funcionários públicos viraram espíritos desalumiados) apareceu alguém que viu que o imperador está nu? Devo confessar que quando ouvi a história a primeira coisa que pensei foi: Ufa! Antes ele do que eu! Mas, voltemos seriamente aos fatos.

O professor da Secretaria Estadual de Educação do glorioso Estado de Minas Gerais, Cláudio Machado, recentemente na Câmara questionou um benefício que o poder público municipal concedia para alguns estudantes do nosso município que vem cursando faculdade em Juiz de Fora. Certo ou errado não é o assunto sobre o qual quero me colocar aqui. Quero falar do instrumento ao qual ele se pautou em seus questionamentos: o orçamento.

O orçamento é uma construção jurídica que deve ser passada ao Poder Legislativo pelo Poder Executivo que deve especificar todos os gastos previstos para o ano vindouro, inclusive com reservas para imprevistos. Serve para dar publicidade aos gastos públicos antes que estes aconteçam, guarda reservas para políticas públicas e manifestam quais serão os setores da sociedade beneficiados pelos atos dos poderes, onde se acumularão os investimentos e como será que o poder do povo emanará para o povo.

Pois bem, eu penso que foi dada a largada para uma nova fase na política de São João. Este já era um assunto corrente na rua e a atitude do professor, em minha opinião, foi um marco nas novas relações que firmarão entre povo e poder público. Não temos motivos para aceitar o desconhecimento dos instrumentos de gestão pública que dizem respeito ao nosso interesse. Muitas pessoas dizem que a administração cultiva a desorganização para se jactar de qualquer esmola que der à população. Eu penso o inverso. Eu acho que qualquer pessoa que saiba que existem mecanismos de controle do gasto público e não os use está prevaricando. Muitas pessoas vêm se organizando para este fim. Há uma mobilização em torno de uma ONG que está sendo estruturada em São João onde já se podem trocar ideias sobre o assunto e, conterrâneos não deixem o professor sozinho. Certa ou errada a atitude por si só é louvável. Todo gasto deve ser previsto e discutido arduamente.

Este fato me fez lembrar uma entrevista do de um deputado do PSDB-MG que tem reduto eleitoral na cidade se referindo ao candidato da oposição ao Governo de Minas: “Não faço política com quem não tem programa. Abaixo os compradores de voto”. Bonito deputado. É isto que queremos. Programa, planejamento, publicidade aos atos públicos. Se for verdade que o cavaco não cai longe do pau seus seguidores não terão a menor dificuldade em fazer justiça às palavras do seu mentor. Mas pra ter certeza a população de São João Nepomuceno vai tomar conta dos gastos públicos e se organizar em torno do que pode construir este capital social, qual seja, a vigilância do erário público.

Parabéns professor. Se alguém pensa que o senhor errou o alvo eu garanto que não errou no método. Estamos juntos. A Solidariedade não morreu. E não morreu para ninguém. Os estudantes supostamente prejudicados que não se enganem porque ninguém tem gosto em impedir que qualquer pessoa estude. O que está em questão é um problema legalista.

Outro dia uma mãe se mostrou com sentimentos de injustiça. Não podemos esquecer que a justiça é uma construção abstrata do homem, que deve persegui-la todos os dias. Não há justiça feita pela criação ou como objeto da evolução solta na natureza. Acontece que para perseguir uma construção artificial idealizada temos várias outras construções mais práticas e de menor importância que se candidatam a atender às demandas da primeira, no caso a justiça. Por acaso a construção social que mais se aproxima do ideal de justiça são as nossas construções legais. Para sermos justos não podemos fugir à lei e sim melhorá-la.

Assim parece que fica evidente que o trabalho a ser feito não está nos espaços de convivência social (naturais ou virtuais) e sim nas casas onde se constroem e se aplicam as leis. E por favor, sejam rápidos porque o gato está no telhado, não deixem que ele caia! Estudo para os estudantes, reconhecimento para quem quer justiça e trabalho para os nossos representantes. É melhor que nos atendam a todos antes que o gato caia do telhado porque na minha conta já não há mais sete vidas.


*Jaques antes de ser observador critico, articulista estudioso e culto, cujo papo é desses que não se pode findar, pela ávida vontade do conhecimeno, é um amigo incomum, daqueles que fazemos questão de guardar do lado esquerdo do peito. O inteligente texto acima e o importante estudo abaixo, foram postados em nosso blog, pela nossa arrigada amizade, mas principalmente pela qualidade literaria e conhecimento incomum.


COMITÊS DE PREVENÇÃO À MORTALIDADE MATERNA E AO ÓBITO FETAL E INFANTIL

Comitês de Prevenção à Mortalidade Materna e ao Óbito Fetal e Infantil

Conceito:


Os Comitês de Prevenção de Mortalidade Materna Fetal e Infantil são organismos de natureza interinstitucional, multiprofissional, de caráter técnico-científico, sigiloso e educativo. Visam identificar todos os óbitos maternos fetais e infantis e apontar medidas de intervenção para a redução destes eventos. É um excelente instrumento para avaliação das políticas públicas e das ações de assistência à saúde materna fetal e infantil.
Comitê de Prevenção ao Óbito Fetal e Infantil

Objetivo: Elucidar as circunstâncias de ocorrência dos óbitos fetais e infantis, identificar os fatores de risco e propor medidas para melhorar a qualidade da assistência
à saúde e a redução da mortalidade nestes indivíduos.

Comitê de Prevenção à Mortalidade Materna

Obejtivo: Identificar e quantificara mulheres que foram a óbito no período entre a concepção e o primeiro ano após o parto, recomenda-se ações que possibilitem melhoria
na qualidade da assistência e investigação dos óbitos de mulheres em idade fértil.

Níveis de Competência :

Comitê Central – âmbito da SES
Comitê Microrregional – Escritórios Microrregionais
Comitê Regional – GRS
Comitê Municipal – SMS
Comitê Hospitalar -- Hospitais

Finalidades e Funções dos Comitês

Estimulo à Criação de Comitês

• Promoção de seminários regionais e municipais de sensibilização,
em articulação com a sociedade civil organizada.
• Capacitação permanente dos membros de comitês.

Investigação de Óbitos

• Realização de investigações dos óbitos maternos nas localidades
onde o setor de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde
não está capacitado. Ou, ainda, quando essa for a decisão local.
a) Da natureza do óbito
− Triagem dos óbitos declaradamente maternos, dos não-maternos
e dos presumíveis,e preenchimento da ficha de investigação;
− Investigação de todos os óbitos de mulheres em idade fértil para
identificação de mortes maternas não declaradas.
b) Das circunstâncias em que ocorreu o óbito
− Verificação das condições de assistência à mulher;
− Identificação das características da estrutura social (família e comunidade).

Análise do Óbito

• Avaliação dos aspectos da prevenção da morte: definição da evitabilidade
do óbito materno;
• Identificação dos fatores de evitabilidade:
a) da comunidade e da mulher;
b) profissionais;
c) institucionais;
d) sociais;
e) intersetoriais;
f) inconclusivos;
g) ignorados.

Informação

• Participação na correção das estatísticas oficiais, facilitando o fortalecimento
dos sistemas de informações;
• Divulgação de relatórios para todas instituições e órgãos competentes
que possam intervir na redução das mortes maternas.

Educação

• Promoção da discussão de casos clínicos nos comitês hospitalares;
• Promoção do debate sobre a persistência dos níveis de mortalidade
materna a partir de evidências epidemiológicas;
• Promoção do debate sobre a problemática da mortalidade materna
através da realização de eventos de prevenção, de programas de reciclagem
e de educação continuada e da produção de material educativo.

Definição de Medidas Preventivas

• Elaboração de propostas de medidas de intervenção para a redução
do óbito materno a partir do estudo de todos os casos.

Mobilização

• Promoção da interlocução entre todas as instituições pertencentes a
qualquer dos poderes públicos ou setores organizados da sociedade
civil, com a finalidade de garantir a execução das medidas apontadas.
Importância da implantação e investigação para a população.
Mortalidade Materna e Infantil é um indicador de vulnerabilidade social. O aumento das taxas indica deficiências nas condições sociais da população, ou parte dela, bem como pode sugerir fragilidade da assistência médica.

Tem influência na medida da expectativa de vida do município e alto impacto na mensuração dos anos de vida perdidos (APVP), indicador de qualidade de vida eleito como uma das prioridades do governo do Estado de Minas Gerais.

Aos municípios que apresentam altos índices deste indicador, recomenda-se melhoria na cobertura do Programa de Saúde da Família (Saúde em Casa) e seguimento das linhas guias da Rede Viva Vida, sobretudo a respeito da classificação de risco.

A macrorregião Sudeste, que tem Juiz de Fora como município sede, conta com um hospital de referência para atenção à Saúde Materno-Infantil no Hospital Universitário – Centro de Atenção à Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora – (HU/CAS-UFJF), que está apto para receber pacientes de risco. A mortalidade na macrorregião é considerada alta, sobretudo quando se leva em conta as condições sócio-econômicas da região.

¨Freqüentemente, a indagação refere-se aos valores que representariam as taxas normal e baixa? Nos países ou regiões desenvolvidos sócio-economicamente, variam entre quatro e dez e, no máximo, 12 a 15 por mil nascidos vivos. Nas áreas subdesenvolvidas, esses valores excedem, em muito, esses números, atingindo, geralmente, níveis de oitenta a cem, no mínimo, por cem mil nascidos vivos. É de se notar que, em alguns países africanos, como Angola, Burundi, República Centro-Africana e Moçambique, podem chegar a quatrocentas, quinhentas ou mais mortes por cem mil nascidos vivos (WHO/UNICEF, 1996). No Brasil, nas décadas de 80 e 90, o valor médio estimado situa-se acima de cem e, segundo alguns, entre 150 e duzentos por cem mil nascidos vivos, embora a razão calculada com os dados provenientes dos sistemas oficiais de informação - sem correção - seja de 54,8 por cem mil nascidos vivos, em 1996 (MS, 1998), (Laurenti, Mello Jorge, Gotilieb,2000)¨. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 16, n. 1, p. 23-30, 2000.

Macrorregião Sudeste e Mortalidade Infantil

A título de informação complementar destacamos um relato da mídia local: ¨Conhecida como Manchester Mineira, Juiz de Fora esconde em suas periferias caracterís­ticas de Maputo, capital de Moçambique, um dos países mais pobres do mundo, confor­me observado pelo secretário de Assistência Social, Marcelo Garcia. Para conhecer de perto a realidade por trás dos números do Mapa da Exclusão Social, divulgado em feve­reiro, a Tribuna visitou alguns dos 13 pontos considerados mais miseráveis na cidade e encontrou pessoas que vivem em barracos improvisados, sem banheiro, com comida escassa e sem perspectivas de mudanças. Algumas sobrevivem com renda per capita de R$ 0,85/dia. Outras buscam sua sobrevivência na área central, atuando como guardadores de carro, ambulantes ou pedintes (Tribuna de Minas, pág. 1, 1º de março 2009, Juiz de Fora-MG.) ¨. Provavelmente os indicadores e saúde, inclusive a mortalidade infantil, nestas populações atingem níveis alarmantes que comprometem os indicadores gerais de saúde de toda a população local.



Apesar da economia privilegiada de Juiz de Fora, estudos apontaram que havia populações vulneráveis que apresentavam condições de vida bem piores que a média da população da cidade. A gestão desta, a partir de então, passou a monitorar estes indivíduos vulneráveis com a finalidade com de reduzir os danos causados pela pobreza e seu reflexo na qualidade de vida de toda a sociedade. Os demais municípios relacionados na tabela abaixo também possuem uma vitalidade econômica regional e, assim como Juiz de Fora, são pólos de atração de migrantes, às vezes em situação sócio-econômica frágil. Seus indicadores de mortalidade infantil não correspondem ao seu desenvolvimento social e econômico e, assim como Juiz de Fora, é preciso conhecer estes “conglomerados” humanos vulneráveis.
A cobertura da população pelo Programa Saúde da Família demonstra evidências de melhoria da efetividade da prestação de serviços públicos de saúde (Moraes Filho, no prelo) além de viabilizar maior conhecimento da população pelo poder público através da sua grande capilaridade.

Mortalidade infantil por 1000 nascidos vivos/ Período/ano - 2006
Juiz de Fora 16,5
Ubá 20
Leopoldina 14,8
Santos Dumont 30,5
São João Nepomuceno 24,9
Cataguases 17,7
Muriaé 20,6


Fonte: Datasus

Juiz de Fora, abril de 2009.
Joana D’Arc Zanelli
Antonio Jacques Barbosa de Moraes Filho